3 de Outubro de 2008

Flamengo, Futebol e Zico

Arquivado sob: Futebol — Fabiano Facó @ 10:40

Flamengo, Futebol e Zico

Essas reflexões só fazem sentido se for possível unir essas duas paixões e uma idolatria ao mesmo tempo.
Por que? Porque, separadas, talvez não fossem paixões.

Meu Pai Eddie e Meu Irmão Edmar me ensinaram desde feto a gostar do Flamengo e de Futebol. Academicamente, deveria escrever Futebol e Flamengo, pois o Flamengo só existe porque antes nasceu o Futebol, mas, a paixão pelo Mengo (pleonasmo) se sobrepõe a razão, portanto, segue na ordem da paixão.

Lembrar das idas e vindas ao Maracanã de trem e de ônibus, estar naquele estádio com outras mais 100 mil pessoas, beber do mate Leão e comer o cachorro quente Geneal, assistir as preliminares do juvenil, aguardar a entrada do time em campo, gritar o nome de cada jogador e depois curtir aqueles 90 minutos de puro delírio, são sensações que não desaparecem na fase adulta e, melhor, me garantem a convivência com meu Pai que se transformou em energia em 1977, quando eu tinha apenas 14 anos. Gostar do Mengão, de boas músicas como Frank Sinatra, Nat King Cole, Nancy Wilson e toda essa turma dessa geração e Cinema, foram experiências e vivencias que adquiri dele e trago comigo para sempre.

Sem contar que herdei do meu Irmão Edmar, o gosto pelos jogos de botões, hoje batizado como futebol de mesa. Cheguei a ter 27 times, sendo do Flamengo os titulares, reservas, juvenis e juniores. Todos etiquetados e cadastrados. Deixava de comer a merenda escolar para comprar botões. Jogava com os amigos mais velhos, jogava com a turma da minha idade, jogava sozinho, jogava partidas de 100, jogava de tudo que era jeito. Os botões guardo até hoje junto com as lembranças e as imitações quando narrava nossos jogos ao estilo e voz do Jorge Cury, rubronegro fanático (pleonasmo) que vibrava a cada Gol do Zico.

Bem, os finais de semana eram dedicados as peladas de futebol de salão na quadra da PM. Começavamos às 10 da manhã e só parávamos quando não tinha mais luz do dia. Jogávamos partidas de quatro gols e quem ganhava ficava na quadra. Eu gostava de jogar lá na frente, de fazer gols. Mas, a maior habilidade era de escolher os outros três melhores jogadores e um bom goleiro, porque eu não jogava bem. Sempre gostava de jogar com camisas de mangas cumpridas, já uma influência das seleções estrangeiras.

Portanto, o Futebol e o Flamengo transcendem aos sentimentos de um simples esporte ou um simples time ou mero entretenimento.

Motivado pelas aulas de Marketing Esportivo e Cultural do Professor Alessandro Rodrigues (http://futeboleideias.zip.net/) e, também inspirado pela minha visita ao Museu do Futebol de São Paulo (http://www.museudofutebol.org.br/historia/), inaugurado no dia 29 de Setembro de 2008, resolvi pesquisar nas minhas próprias idéias e experiências o por que dessa paixão pelo Futebol, o por que dele ser o mais popular dos esportes do ainda Planeta Terra.

Por que dessa paixão popular pelo Futebol?
Porque esse interesse monopolista das Televisões em transmitir Futebol?
Por que as Empresas, dos mais diversos segmentos, buscam avassaladoramente associar suas imagems como patrocinadores das camisas dos times de futebol como também dos jogadores-celebridades?

Porque o Futebol jogado dentro dos Campos e fora dos Campos, representa com muita exatidão e semelhança o nosso dia-a-dia e nossas principais instituições. Fora do campo, ele permanece cartelizado, modelo esse que, foi iniciado nos primórdios da FIFA e enraizado até hoje nas Confederações por cada Continente e respectivos Países. Exemplo: O 18º Presidente da CBF está no cargo desde 16 de janeiro de 1989. Seu quinto mandato consecutivo terminou em meados de 2007, mas foi prolongado, sob acordo, até o final da XX Copa do Mundo FIFA em 2014, que será no Brasil. Esse fato por si só explica os meandros dos bastidores do Futebol.

Dentro do Campo, a cada jogo podemos conviver com o jogo coletivo, representado pelos esquemas táticos e pelas jogadas ensaiadas. Nesse mesmo jogo, percebemos o valor do individualismo, onde atualmente, em raros lampejos de criatividade e iniciativa, podemos observar jogadas individuais e dribles que encantam e criam valor eterno para o Futebol. Na vida também é assim, vivemos no coletivo na Família, com os Amigos, com os colegas de Trabalho, de Faculdade, porém, também buscamos nossos destaques individuais. É pura essência do atual estágio dos Seres Humanos.

Seria impossível não associar os pequenos deslizes que cometemos no nosso dia-a-dia, como aquele sinal (semáforo) que passamos na madrugada, aquele CD que pegamos com o amigo e esquecemos de devolver, aquela prova ao lado do amigo que olhamos, enfim, são vários. Todos podem ser comparados com as faltas que existem no jogo, as tentativas de enganar o juiz da partida, de ludibriar os adversários, etc. Sem contar as traquinagens que os dirigentes de futebol fazem com as administrações amadoras que os clubes e federações ainda são obrigados a conviver. É só contabilizarem as dívidas dos atuais clubes com o Governo, ex-treinadores e ex-jogadores.

Quem deveria cobrar essa gestão profissional nas Federações e Clubes?

O Governo? Teria que ser com muito tato e jeito, pois a todo momento pega uma carona na popularidade do Futebol.

Os Torcedores? São os mesmos que escolhem os atuais politicos e pouco se envolvem com politica e questões da sociedade. No máximo, podem esperar um minimo de conforto e segurança para irem aos Estádios.

Quem então ? Por favor, deixe aqui suas sugestões!

Continuando, Você conhece algum treinador pedindo para voltar um pênalti marcado a favor do seu clube, mesmo ele sabendo que não existiu?
Mais, um jogador admitindo ao juiz que não levou um pênalti? Ficou mais fácil comparar o futebol com o nosso dia-a-dia?

Nossa sociedade não cuida dos Velhos. Futebol não cuida dos seus Atletas, seus Campeões do Mundo.

A sociedade não se organiza para melhor escolher seus políticos. Os profissionais de futebol também não se organizam para uma melhor estrutura de sua profissão, visando seus direitos no agora e no futuro.

Podemos listar uma infinidade de comparações entre o Futebol e nosso Cotidiano e através dessas semelhanças, identificarmos o tamanho dessa popularidade pelo esporte do Charles Miller

Simplificadamente falando, o Futebol, ipsu facto, reflete no seu universo muito do universo que o cerca. Com certeza, essa reflexão que mora no inconsciente das pessoas deve ser um dos motivos dessa paixão globalizada pelo Futebol. O jogo nas quatro linhas e o mesmo jogo que jogamos no nosso dia-a-dia.

Falei rápido do Flamengo, viajei pela paixão do Futebol e agora um papo de fã do Zico (http://www.ziconarede.com.br/).

Eu já havia compartilhado algumas palavras sobre o Galo de Quintino no artigo:
http://blog.fabianofaco.com/2008/03/20/zico-seu-busto-no-maracana/ que fala sobre a merecida estátua do Galo no Maracanã, porém, tudo que já foi dito sobre o Zico e o que virá a ser dito, sempre será pouco em relação ao que ele fez no e pelo Flamengo, depois no Udinese da Itália, depois no Governo Brasileiro (como Ministro de Futebol), pela Seleção Brasileira, pelo Futebol Japonês, pelo Fenerbache da Turquia e o que irá fazer pelo time do Bunyodkor do Uzbequistão. Todo esse sucesso na carreira aconteceu com base num caráter inabalável, um comprometimento com sua Mulher, Filhos, Irmãos, Pais e Família como um todo, um sentimento de solidariedade em relação aos colegas de profissão, ao respeito em relação aos adversários, a sua simplicidade em relação a sua popularidade e carinho no contato com os fãs. Isso porque jogou numa época onde o Flamengo tinha mais 10 gênios além dele: Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Junior; Andrade, Adílio, Ele; Tita, Nunes e Lico. Sem contar os outros tantos craques que ajudaram na formação dessa SeleMengo: Cantarele, Toninho, Rondineli, Figueiredo, Vitor, Carpegiani, Claudio Adão, Reinaldo, Julio Cesar e tantos outros. O maior valor desse time é que os adversários também eram times de alta qualidade.

Estive perto do Galo e dois momentos distintos: Em 1976 estava na Gávea, durante a semana, onde fui levado pelo meu Pai, no nosso último passeio juntos e, nesse dia, despretensiosamente algumas fotos foram tiradas do Zico com as crianças que lá estavam. Uma delas era eu, com 13 anos de idade. Meses depois a Revista Zico foi publicada e lá estava eu ao lado do Galo. Agora em Dezembro de 2006, graça a minha sobrinha Ciana, descobri que o Galo estaria dando uma entrevista para o Redação Sportv lá no Rio Comprido no Rio de Janeiro. Não pensei mais de 7 vezes e resolvi pegar meu filho Khym, vestidos os dois com a camisa do Flamengo, lá fomos nós cercar o Zico no corredor do estúdio de gravação. Ao final da gravação o corredor estava cheio, porém todos foram muito bem atendidos pelo Messias da Nação Rubro Negra (http://www.youtube.com/watch?v=z3KVePPRYJI)

Na nossa vez, mesmo gaguejando como se tivesse aqueles 13 anos, consegui pedir um autografo na minha camisa e mostrei a revista, ao que ele tomou um susto ao saber que, mais ou menos 30 anos depois, eu estava ali pedindo o meu autografo no meu exemplar.

Khym e Chyara não precisam se tornar grandes atletas, mas, torço que eles convivam com o esse mundo fascinante do futebol e, através dele, formarem seu caráter, seu grau de competitividade, sua capacidade de lidar com as divergências e se divertirem bastante, pois, ENTRETER, sempre será a missão maior do Futebol.

Futebol é Paixão, Cultura e Turismo
Flamengo, Uma vez e Sempre
Zico, o Maior Atleta dentro e fora dos Campos

1 Comentário »

  1. É, FF, Flamengo e Futebol: tudo a ver. Uma paixão que temos em comum, e reconheço que o MEU Flamengo tb é o do Zico.
    Bjs

    Comentário de Elisa — 8 de Outubro de 2008 @ 23:22

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