Até ao João de Deus eu fui
Nos últimos dias vivi uma experiência da qual sempre tive vontade e curiosidade, porém, nunca necessidade. Dessa vez, tomei a iniciativa pela necessidade de procurar por todas as alternativas existentes no mundo, para promover alguma melhora para minha adorada e admirada Mãe Maria da Penha.
Desde o dia 15 de Julho de 2008, quando nossa Mãe recebeu o diagnóstico da hipótese do tumor Glioblastoma Multiforme Grau 4, tenho me dedicado a estudar, pesquisar, conversar, me consultar com Neurologistas, Oncologistas e Homeopatas e de todos escuto que as chances são mínimas, considerando o quadro que envolve a idade da Maria da Penha, 85 anos, posição do tumor e tamanho do tumor. Por que Hipótese ? Porque só teremos a certeza se for realizada uma cirurgia para realização do exame de biópsia.
Como não preciso guardar essa dor dentro de mim, falo e converso normalmente com as pessoas sobre o tumor da Maria da Penha, como também não me privo de chorar quando a emoção supera a razão. É bom, alivia e não tem contra indicação. Como estou estudando Marketing, resolvi também divulgar e promover esse meu momento com os amigos e também nos espaços de relacionamento na internet. Assim, um amigo ficou sabendo e comentou comigo sobre o Médium João de Deus.
Para quem foi educado na religião católica (até primeira comunhão eu fiz), para quem já leu pouco sobre as demais religiões: Budismo, Espiritismo, Hinduísmo e outras tantas e, para quem fez quase a metade do curso de pós-graduação em parapsicologia, ter ido até o João de Deus foi um grande desafio.
Pela ótica da Parapsicologia, não existe incorporação de espíritos e não existem curas e cirurgias espirituais. Para medicina dos orgãos, também não existe.
Sabendo de tudo isso, mesmo assim, fui até o João de Deus.
Saí de São Paulo, com um casal de amigos que já tinham ido lá e uma amiga deles. Chegamos em Abadiânia na quinta-feira, dia 18 de noite. Demos entrada no Hotel, lanchamos ao lado dele e fomos dormir cedo. Dormi nada ou quase nada e, durante a noite, orei, meditei e mentalizei sempre em prol da saúde da Maria da Penha e também me preparei para conhecer e vivenciar essa experiencia no sentido de observar, perceber e captar, sem investigar e sem julgar.
Na sexta pela manhã chegamos bem cedo na Casa de Dom Inácio de Loyola e pegamos uma senha referente as pessoas que estavam indo pela primeira vez ou segunda vez. Por volta das 08:30 nos sentamos numa das salas, onde varios Brasileiros e Estrangeiros já estavam acomodados, todos vestidos de branco, já orando, meditando e mentalizando. Uma Mulher fez uma palestra, explicando o lugar, dando ênfase para que todos mantivessem seus tratamentos com seus respectivos médicos e que o tratamento espiritual não iria conflituar com o tratamento que estivesse ocorrendo fora dali e, vice-versa. Indicou também que ali não era local dessa ou daquela religião e que todos poderiam rezar suas próprias orações.
Ao final ela informa que o João de Deus já havia incorporado uma das suas entidades e que as filas iriam se formar para estar com ele.
Fomos para fila.
Da sala que estávamos, passamos em fila para uma outra e, dessa outra chegamos até ele um por um. Na minha vez, eu estava com o retrato da minha Maria da Penha e pedi pela sua cura e pela sua melhora. Ele me olhou nos olhos e me disse que voltasse na parte da tarde.
Dali fomos almoçar. Continuei no propósito de observar, perceber as sensações, perceber as pessoas que lá estavam em cadeiras de rodas, com suas enfermidades e com suas buscas e pessoas que estavam pedindo por outras pessoas.
Voltamos para mesma sala inicial e a mesma palestra foi repetida. No final, ela nos disse que o Médium iria estar conosco naquela sala. João de Deus adentrou, se apresentou, contou um pouco de sua história, frisou que não cura ninguém e quem cura é Deus. Incorporou Dr. Augusto de Almeida, fez duas cirurgias na frente de todos - vários filmes estão disponíveis no Youtube. Em seguida, deu alguns passos e derrepente se dirigiu a mim dizendo:
- Filho entra para a sala de operação. Eu gosto muito de você. Você era para estar recebendo energia. Vai para a nossa corrente. Não sei o que você está fazendo aqui fora. Pode entrar para minha sala de operação. (essa cena está gravada em vídeo)
Tranquilamente me dirigi para uma sala onde várias outras pessoas estavam orando e mentalizando seus pedidos.
Nesse momento rezei, orei, meditei e mentalizei tudo que podia em prol da Maria da Penha, da sua cura, da sua melhora, do seu não sofrimento. Pedi pelas pessoas que estão cuidando dela, pedi forças e fé aos meus irmãos e sobrinhos, para minha família e amigos, as enfermeiras, os médicos, enfim, por todos. Agradeci a força e ajuda que venho recebendo das pessoas e todo amor e cuidado quem tem sido canalizado para ela. Pedi que esse tumor fosse retirado da cabeça dela e colocado na minha, não por altruísmo e sim, porque aos 45 anos eu poderia ser operado, tratado com radioterapia e quimioterapia e curado. Assim eu seguiria em frente já que amo minha vida, meus filhos, minha mulher, minha família e meus amigos. Foi um momento muito intenso, sereno, calmo. Estava agarrado com uma camisa que ela havia vestido com a foto do Khym. Passei todos esses minutos abraçado com ela, lá no quarto dela em Petrópolis.
Não dá para expressar em palavras tudo que vivenciei nesse hora.
Pensei bastante nas pessoas da nossa família que já se transformaram em energia: Meu Pai Eddie, Minha Avó Nenem, Vô Pedro, Vô Solon, Vó Branca, Tio Mozart, Haroldo, Tia Dayse, Tio Airton, Tio Gataz, Tio Ivani, Tia Gely, Tia Iva, Tio Zuca, Tia Jalva, Tio Clóvis, Tio Renato e tanta gente que se foi. Sabemos que é um processo natural da nossa vida e que nos momentos de transição temos tanta dor e dificuldade de lidar.
Dali, depois de um bom tempo, todos foram para uma varanda. Lá, um dos membros da equipe do João de Deus se dirigiu para tirar nossas dúvidas e receitar um remédio feito a base de passiflora para ser tomado pelos pacientes.
Fui comprar o remédio na própria farmácia que existe dentro do Lar e dali fui encontrar meu grupo. Soube então, que a fila das pessoas que ele havia solicitado o retorno na parte da tarde, já havia se formado. Assim, fui para a fila. Passei de novo pelas salas onde várias pessoas meditavam e oravam e, chegando minha vez, mostrei a foto da minha linda Mãe Maria da Penha, a foto do seu tumor e pedi por ela. Ele pegou a foto do tumor das minhas mãos e me disse que iria cuidar dela.
Dali me retirei e voltamos para São Paulo.
Mesmo com a minha quase formação em parapsicologia, meu pragmatismo e racionalismo intenso, não sinto nesse momento que tenha sido inútil minha ida até lá.Principalmente, porque tudo que tenho buscado até aqui tem sido em prol dela.
Quero agradecer o apoio, o carinho, as palavras de incentivo que recebi da família e dos amigos que nessa sexta-feira dedicaram alguns dos seus minutos em prol da minha Mãe. Nenhum deles me julgou se eu deveria ou não ter ido até lá. Todos simplesmente deram a maior força para minha Mãe Maria da Penha.
Não que eu não acredite em religião, pois segundo o Dalai Lama, a melhor religião é aquela que te faz melhor. É aquela que te faz crescer, que alimenta sua fé é que te faz melhor perante aos outros. É que eu acredito em Espiritualidade, na força do pensamento e dos gestos. As religiões apenas tentam nos lembrar que precisamos reconhecer nosso espirito ou nossa alma como parte do nosso organismo e como os demais, devemos tratar dele também.
Aqui não vou julgar o João de Deus, se incorpora ou se não incorpora, se cura ou se não cura, se eu deveria ou não ter ido lá, se naquele local estavam ou não espíritos vibrando e agindo conosco. Fomos acostumados até aqui em acreditar naquilo que podemos ver e tocar, naquilo que podemos medir. Nosso orgão chamado Espirito ou Alma, ainda não pode ser medido ou tocado. Se nós continuarmos a existir nesse planeta, ou nos mudarmos para outro (caso esse não sobreviva em relação ao que fazemos com ele), com certeza, um dia, esse orgão será medido e tocado.
A luta continua e vamos continuar buscando o melhor para ela.
Meu Abraço em todos que estão cuidando da Maria da Penha